Autor(a)
Cecília Antunes
Escritora
Leitora de Jung de longa data. O sonho é a carta honesta.
Cecília lê Jung e mantém um diário de sonhos há vinte anos. Lê os sonhos como Jung sugeria: uma carta da parte de você que não faz cena. Escreve o 'o que fazer na manhã seguinte' de cada verbete. Vinte anos de diários deixaram nela uma regra firme: interpretação que lisonjeia provavelmente está errada, e a que assusta provavelmente está incompleta — a leitura útil costuma ser a que incomoda de leve, num lugar conhecido. Os verbetes dela são construídos para a manhã seguinte: cada um termina com uma prática pequena — a pergunta a se fazer, a frase para anotar, o fio para seguir — porque ela acredita que sonho não examinado até terça é sonho perdido. Escreve com frequência sobre as figuras que se repetem, sobre como o desconhecido do sonho costuma ser uma versão aposentada de nós mesmos, sobre a casa que não para de ganhar cômodos. É calorosa com o material e nada sentimental com o método. O que a levou à página foi a escala: um diário ajuda uma pessoa que sonha; um verbete bem escrito encontra milhares na mesma manhã estranha, segurando a mesma imagem estranha, precisando da mesma primeira pergunta honesta. Ainda anota os próprios sonhos à mão, todo dia, antes do café — e recomenda o mesmo a qualquer leitora que pergunte por onde começar.
Writes about: psicologia junguiana, interpretação de sonhos, inconsciente.
Ensaios recentes
- Sonhar com rio: fluxo, escolhas e leitura popular
- Sonhar com ponte: travessia, decisão e leitura popular
- Sonhar com chuva forte: emoções, limpeza e leitura popular
- Sonhar com fogo: transformação, raiva e leitura popular
- Sonhar com cabelo caindo: autoestima e mudança
- Sonhar com cobra: significado psicológico e popular
- Sonhar com cobra atacando: medo, mudança e folclore