Autor(a)
Luíza Prado
Poeta e Ensaísta
Poeta. Trata cada sonho como primeiro rascunho vindo de um lugar honesto.
Luíza publicou dois livros pequenos de poesia antes de escrever sobre sonhos — para ela, o mesmo ofício. Escreve os símbolos delicados: casas, água, quem já morreu, o sonho em que de repente se sabe cantar. Chegou ao livro pelo luto: depois que o pai morreu, sonhou com ele por um ano, e foi procurar textos que tratassem esses sonhos como algo além de sintoma. Achou pouco, então começou a escrever. Os verbetes dela sobre sonhos de visita estão entre as páginas mais compartilhadas do site, e as cartas que chegam por causa deles são o motivo de continuar. O método é método de poeta: ela acredita que precisão e ternura são a mesma habilidade, e que a frase certa sobre um sonho deve dar a sensação de ser reconhecida. Trabalha devagar, rascunha à mão e corta tudo que soa sábio. A pesquisa está lá dentro, segurada de leve — ela lê os estudos sobre sonho e luto, conhece a hipótese da continuidade, mas deixa quem sonhou como especialista. Verbete após verbete, escreve sempre a mesma coisa que os poemas escreviam: o jeito como o amor continua falando depois que a conversa termina. Aos leitores, uma única prática: anotar o sonho de manhã, antes de contar a alguém. As palavras, diz ela, ficam tímidas quando o dia clareia.
Writes about: símbolos oníricos, sonhos de luto, escrita.
Elsewhere: luizaprado.substack.com